Sejamos Todos Feministas

Esta semana eu trouxe uma leitura bem curtinha, mas muito importante, principalmente com atual momento que vivemos.





O “Sejamos todos Feministas” da Chimamanda é na verdade um resumo de uma palestra que ela deu no TEDX dos EUA em 2012 onde ela faz um convite à sociedade e ter um ideal feminista.

Pensar a questão de gênero é uma questão urgente no mundo, vemos diariamente a mulher sendo oprimida e até morta por ser mulher.


Eu acho muito interessante a leitura, pois ela cita alguns estereótipos da mulher feminista. Um destes estereótipos é o de que todas as mulheres feministas são infelizes e ela se auto intitula “feminista feliz”. A seguir dizem a ela que feminista não gosta de homem e ela começa a falar que é uma “feminista feliz que adora homens”! :D


E é algo que me pôs a refletir, pois as pessoas criam uma imagem em sua cabeça e perpetua aquilo no seu dia a dia. Eu já discuti muito sobre feminismo e uma vez me aproveitei da comunicação não violenta para conversar com uma mulher que se diz não feminista. Durante a conversa eu lhe perguntei se ela acha justo a mulher receber menos que o homem pelo mesmo serviço, se concordava com a nossa carga de trabalho ser maior que a masculina, ou se era normal mulheres morrerem nas mãos dos homens pelo simples fato de serem mulheres.


Claro que ela não concordou, nenhuma mulher em sã consciência poderia concordar. Quando eu conclui que, ao ser contra tudo aquilo ela era feminista, ela ficou sem palavras. Acredito que desconstruindo o estereótipo criado em sua cabeça!


A Chimamanda no “Sejamos todos feministas” coloca isso de uma forma brilhante, desconstrói a visão que muitos têm do feminismo, uma visão que foi criada para deslegitimar a luta da mulher por direitos iguais.


Um trecho do livro que me chamou bastante atenção foi quando a Chimamanda fala sobre o não pertencimento da mulher negra e africana ao feminismo, muitas mulheres negras acreditam que esta luta é de mulheres brancas e norte americanas ou européias, mas ela se coloca brilhantemente diante disto:


A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo e é assim que devemos começar. Precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.


Outro ponto interessante da leitura é que a Chimamanda explica muito bem como o machismo faz mal aos homens também, eles são criados para esconder seus sentimentos e precisam provar sua masculinidade o tempo todo. E ela cita a fragilidade da masculinidade. Ao ser preciso se provar viril e forte o tempo todo, tudo passa a ser “coisa de mulher” e nas palavras da autora, “quanto mais forte um homem precisa ser, mais frágil seu ego será”


E para não ferir o ego fragilizado masculino as mulheres acabam por fazer péssimas escolhas, como a amiga da escritora que vendeu o próprio apartamento para não intimidar o namorado que não tinha casa própria, ou se casar para ser respeitada no ambiente de trabalho!


É bom salientar, que ela fala da realidade da Nigéria, país onde vive, mas em maior ou menor grau, todas as culturas são influenciadas pelo machismo, trazendo para realidade brasileira e portuguesa, eu escuto até hoje as senhoras falando para as adolescentes que sabem cozinhar, que elas já podem casar! Para um homem diriam que ele já pode abrir um restaurante, mas a mulher está ainda fadada ao casamento em nossa cultura!


Um outro paradigma abordado pela Chimamanda é a questão da beleza, que já foi bem apresentada no livro O mito da Beleza, aqui no “Sejamos todos feministas” é feito uma crítica ao fato de que a beleza da mulher é inversamente proporcional a sua inteligência e cultura.


E ela cita como exemplo a sua apresentação na turma de pós graduação:


Na primeira aula de escrita para uma turma de pós-graduação, fiquei apreensiva. Não com o conteúdo do curso, já que estava bem preparada e gosto da matéria. Estava preocupada com o quê vestir. Eu queria ser levada a sério. Sabia ser, por mulher, eu automaticamente teria que demonstrar minha capacidade. E estava com medo de parecer feminina demais, e não ser levada a sério. Queria passar batom e usar uma saia bem feminina, mas desisti da ideia. Escolhi um terninho careta, bem masculino, e feio.


Ou seja, por mais que a gente crie consciência do patriarcado e de suas amarras, é provável que você acabará por se sentir vulnerável às vezes e acabará por “dançar conforme a música”. Mas é preciso estar sempre desconstruindo essas crenças, só assim a gente conseguirá caminhar para uma sociedade pós patriarcal.


Então convido você a colocar esta leitura curtinha (eu lí o livro em 3 horas) mas necessária na sua lista, para sabermos nos posicionar e caminharmos para uma sociedade pós patriarcal, justa e igualitária!


por Thalita Ferreira

@Divinaancestral


Escrito em Beltane, Lua crescente, Porto (Portugal)





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