MULHERES SEMENTES

Nessa escrita tentarei compartilhar um pouco das minhas reflexões, questões e descobertas no meu processo continuum de autoconhecimento e junto das mulheres que acompanho em tratamento a respeito de reconhecermos, nutrirmos e germinarmos nossas sementes de vida.



BREVE RESPIRO PARA INICIAR


Antes de começarmos sugiro um momento de inspiração e expiração e de sentir o corpo. Feche os olhos. Inspire e expire lentamente, tranquilizando o batimento cardíaco e gerando a motivação de gentileza e amorosidade consigo mesmo. Sentindo as solas dos pés. A terra.


Um pouco mais relaxada, observe, dentro de si, no seu interior, a existência de possíveis sementes em estado latente para despertar. Onde elas estão? Há sementes? Tentem sentí-las, ouvir suas vozes, e perceber do que elas precisam.


Foi difícil fazer esse exercício?


Conversaremos sobre isso, e outras coisas também que pode nos ajudar a sermos mulheres sementes.



Como primeiro passo, sugiro que você reconheça, naturalmente, como Mulher Sementes. Temos Ovários, fonte física e energética natural de produção de óvulos que podemos potencializar como nossas sementes para serem plantadas na terra, filhos de carne e osso, ou não.


Além dessa conexão Lunar pessoal, momento da nossa Ovulação; há também nosso ciclo natural em sintonia com o Sol: na PRIMAVERA eu desperto as sementes que há para germinar.


E qual é a minha Semente?


No universo de autoconhecimento de despertar do feminino sagrado, há muitas teorias que nos brilham os olhos. Contudo, como cada mulher tem seu percurso único e próprio, nem sempre a teoria bate com a realidade.


Então, antes mesmo de compreender e sentir os movimentos lunares e solares de despertar nosso semente para o mundo externo, precisamos reconhecer o caminho que pode nos levar as nossas sementes.


É imprescindível que as mulheres tenham a firmeza e a certeza de que a dúvida não nos beneficia, mas o questionamento, sim, é um grande e precioso iluminador.


Quem também nos ensina isso é a Deusa Rhiannon


“A dúvida de alguma coisa a consome? Você fica paralisada sem saber o que fazer ou que caminho tomar diante de uma dúvida? Ou sempre duvida de você mesma e da sua capacidade em realizar algo? Rhiannon entra em sua vida para que você não adie, não fique procrastinando mais diante da dúvida. Não negue a decisão que precisa ser tomada, ao contrário, questione! Um modo de você enfrentar a dúvida é confiar nos seus instintos, que poderão lhe dar sinais confiáveis! A maioria de nós se concentra na mente, na cabeça, quando precisa tomar uma atitude ou seguir um caminho. Quando a mente dá voltas com muitas possibilidades, cenas desagradáveis, insegurança e medo. PARE! Ela já está te traindo. Respire, relaxe, dê um tempo, uns dias, ou algumas horas e procure não pensar mais sobre o assunto. Depois deste período, volte-se para o seu corpo e sinta-o em profundidade. O corpo é o local sagrado. Faça agora perguntas à ele.”





Na mitologia celta do País de Gales, a Deusa Rhiannon é a grande rainha associada com a soberania, com os cavalos e os encantamentos, assim como a fertilidade e as aves. Um dos mitos mais conhecidos de Rhiannon é de quando ela usou magia para ficar livre do pretendente com quem ela não queria se casar.


Percebam como esse mito pode nos ensinar algo: soberania para decidir.


Muitas vezes, me deparei na vida e me deparo diante de mulheres que acompanho em tratamento, o grande questionamento: Qual é minha missão? Qual é o sentido da vida? Qual o sentido que busco para a minha vida?


Essas são questões muito pertinentes e importantes e ocupam nossa mente. Às vezes, ocupam tanto que esquecemos de parar e sentir. E aí temos um problema. Nos perdemos do que nos é mais precioso: a voz do nosso coração. Nos perdemos dentro dos movimentos da mente e do ego.


Despertar para a sua semente, é despertar para a vida, e despertar para a vida demanda discernimento, porque não podemos seguir nosso Ego.




Para nutrir novas sementes - contorne o Ego


O caminho do nutrir, despertar e germinar não passa pelo Ego. É imprescindível selecionar, ter discernimento, mas não egóico, pois esse engana, inveja, nos trai. É importante saber o que nos serve como nutrição para então conseguirmos crescer e expandir saindo do estado latente de planta, de flor, de fruto.





A grande mestra Jetsunma Tenzin Palmo belamente nos ensina:


“ O que chamamos de ego na linguagem budista é aquela noçãozinha estreita de solidez no centro de nosso ser que é o “eu” e que, portanto, torna todo o resto “não eu”. Todos nós fazemos isso o tempo todo. Eu penso, eu sinto, essas são as minhas memórias etc. Essa consciência estreita, fechada, sólida está sempre identificada com o passado.


Estamos sempre identificados com nossas respostas habituais - o modo como sempre fizemos as coisas, esse sou eu, eu sempre gostei disso, não gosto daquilo, quero isso, não quero aquilo etc. É muito rançoso. Isso significa que, quando deparamos com qualquer coisa nova, é difícil ter uma resposta natural e aberta.


Por isso a vida fica tão chata para as pessoas. A vida, na verdade, é fascinante, mas nos chateamos porque nossa mente fica muito condicionada e, portanto, rançosa. Estamos tentando enxergar através do condicionamento.“



Veja que interessante essa visão. Se seguirmos pelo fluxo indicado pelo Ego, alimentamos o rançoso, e perdemos a qualidade mágica do novo e da abertura, perdemos a grande chance de nutrir nossa semente.



Tenzin Palmo continua e nos banha com sabedoria a respeito dos pensamentos condicionados, que nos impede de acessar uma imensa fonte de energia que flui e nutri.


“ Quando começamos a examinar nossos pensamentos, percebemos o quanto a mente é completamente tediosa. Os mesmos pensamentos constantemente dá uma sensação de segurança, de que, de algum modo, somos uma unidade - algo único. Esse é o meu pequeno conjunto de reações condicionadas. Mas isso nos cega completamente para o que de fato está acontecendo no momento. Esse é o problema. Todas as religiões tentam ir além desse pequeno ego, desse pequeno “eu” e obter acesso a um nível de ser mais elevado.


Nesse estado temos acesso a uma enorme fonte de energia que flui, pois não estamos presos em todo o atrito de nosso pensamento condicionado, natureza da mente (...) voltamos à fundação de nosso ser. Claro que podemos manter nosso ego. mas agora sabemos que é apenas um jogo.”



É justamente a partir desse caminho livre do pensamento condicionado que proporcionamos o encontro com nossas sementes e finalmente teremos energia para nutrí-la enquanto poderosa planta, que virará flor e dará frutos para nutrir nossa mãe terra proporcionando amor e alimento para todos os seres.


A busca de nossa semente está no voltarmos à fundação de nosso ser de onde tudo nasce e brota, naturalmente.


Boa jornada!


Gratidão pela oportunidade de compartilhar essa escrita.


Beatriz Brusantin

@tresraizes

Na Lua Minguante, em Ostara, cidade de Belo Horizonte (MG).


Referências para a escrita do texto:


PALMO, Jetsunma Tenzin. Reflexos em um lago na montanha. Ensinamentos práticos de budismo. Rio de Janeiro: Lúcida Letra, 2018.


SILVA, Zilda H. S. O Oráculo da Deusa. Um novo método de Adivinhação. São Paulo: Pensamento, 2007.


Sites:


http://caminhopagao.com.br/rhiannon-a-grande-rainha/

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